BLOG
3/11/2018 por Carol Braga

Literatura para todas as infâncias
sobre como tudo começou e da descoberta de que os livros infantis são para todos, inclusive para as crianças.


 

Eu não tenho uma história bonita de infância de “como me tornei leitora” para contar. Não tenho lembranças de uma avó ou tios que liam pra mim ou qualquer coisa parecida. Me lembro sim, de quando criança, ter contato com alguns livros que meus pais compravam (até tenho alguns deles guardado ainda hoje) e das histórias de boca que os mais velhos contavam; mas a verdade é que o amor pelos livros veio bem mais tarde, embora – sem que tivessem consciência disso – meus pais já haviam plantado uma sementinha ali.

 

O encontro com o objeto livro – propriamente dito – se deu na faculdade de Pedagogia, quando estimulada por uma professora, comecei a ler os clássicos da literatura infanto-juvenil como “As viagens de Gulliver” e “Robson Cruzoe”. Naquele momento, eu me reconectava com a criança que havia sido um dia e assim fui descobrindo que os livros infantis são para todos, inclusive para as crianças. Uma vez me contaram que ler para um bebê dentro da barriga era uma ótima oportunidade de já começar a criar vínculo com ele e, de quebra, ajudar na formação de um futuro leitor. Acreditei tanto nisso que, antes mesmo de engravidar ou de saber se um dia eu teria filhos, comecei a montar uma pequena biblioteca em casa. Ainda estudante de Pedagogia, me lembro de ter descoberto “O fantástico Mistério de Feiurinha”, de Pedro Bandeira e, encantada comecei a lê-lo em voz alta para as colegas também estudantes (adultas e de outras áreas) que dividiam apartamento comigo. Ao me formar, queria fazer boas leituras para meus alunos e as “usava”, no melhor sentido, como cobaias. Mas elas se divertiam e isso era mais uma prova de que a literatura infantil era para todos. Assim foi, até que me formei e realizada, comecei a desenvolver projetos literários em sala de aula.

 

Anos depois, quando descobri que estava grávida, desandei a ler pra minha barriga dia e noite. Perfeito, eu teria um filho leitor! Miguel nasceu e comecei a ler muitas histórias pra ele. Já funcionava assim com meus alunos, com Miguel não seria diferente. Eu teria um filho leitor. Mas o que não me contaram é que a criança, ao crescer um pouquinho, talvez não se interessaria pelos livros “fofinhos” que eu havia comprado e testado com meus alunos mais velhos. E que muito menos, ficaria sentadinha ali, linda e concentrada, ouvindo a história até o final. Também não me contaram que não era qualquer livro que formaria uma criança leitora. E muito menos que ser professora era garantia de qualquer coisa. Daí que né, frustrei! Óbvio! Poxa, na escola meus alunos me ouviam com atenção, eu já desenvolvia projetos literários lindos... onde eu estaria errando com meu filho, então? Foi nessa época, quando Miguel tinha quase 1 ano, que comecei a ler e estudar mais sobre mediação de leitura e comportamento leitor. E a primeira coisa que aprendi foi que o papel dos pais é bem diferente do papel da escola na formação de um leitor. Então comecei o processo de “despedagogização” com o Miguel. Parei de querer usar o livro literário pra ensinar qualquer coisa a ele. Isso aconteceria espontaneamente quando ele entrasse na escola. Em casa meu papel era outro. Foi assim que, em novembro de 2014, nasceu o Conversa de Quintal como perfil do Instagram. Desse desejo de conversar com outras mães, pais e educadores para trocar experiências e compartilhar as novas descobertas sobre esse incrível universo dos livros para a infância. Nessa Conversa de Quintal conheci uma rede de mães leitoras maravilhosas que me ensinaram que como quase tudo na vida, a gente às vezes erra pra aprender. Assim como amamentar, ensinar a dormir, comer ou dar os primeiros passos, a gente também ensina uma criança a gostar de ler. Aos poucos fui treinando meu olhar na hora de escolher um livro infantil; nossa bibliotequinha foi ganhando vida; e tanto Miguel quanto eu, seguíamos encantados e conectados! Eu estava, enfim, formando uma criança leitora. A vida leitora dos meus alunos também melhorou significativamente depois dessas descobertas. Aqui nesse quintal virtual nascia, ainda sem que eu soubesse, uma mãe empreendedora, que sonhava em transformar seu hobby de ler para uma criança, em um negócio. Mas só tive consciência disso anos mais tarde.

 

Nesse mês de Novembro de 2018, o Conversa de Quintal completa 4 anos e vamos comemorar todas as conquistas, transformações e descobertas que este espaço já nos proporcionou. Nessa nova fase, esse site é o primeiro presente de aniversário que entregamos para ele e para todos os leitores que nos acompanham. Uma forma de dizer que seguimos firmes na nossa missão de - através da literatura para todas as infâncias – contribuir para que mais e mais adultos se conectem com suas crianças internas para que se relacionem de maneira mais efetiva com as crianças que educam. Porque acreditamos muito que ler é afeto e que ler para uma criança pode mudar o mundo.

 

Vamos juntos? 💚🍃

 





Compartilhe
Posts relacionados